A possibilidade da redução da jornada de trabalho no Brasil, com o atual debate sobre o fim da escala 6 x1, tem concentrado atualmente o foco tanto da esfera política, quanto do setor produtivo, passando ainda pela análise de economistas e especialistas em finanças.
Na defesa da medida, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem citado desde a tendência mundial neste sentido, até os processos de automação na Indústria e mecanização da Agricultura, até o crescimento da adoção da inteligência artificial, aumentando a produtividade. Em reunião na Fiesp, na segunda-feira, 23, Alckimin citou os argumentos para o presidente da Federação, Paulo Skaf.
No mesmo dia, após a reunião almoço do Sinduscon-PE, o economista Tiago Monteiro, convidado para palestrar durante a ocasião, comentou sobre o tema junto à Comunicação da entidade. Para ele, o que está na mesa hoje é muito incipiente para se ter uma análise mais precisa sobre os impactos no setor industrial, por exemplo.
“Existe muito burburinho, mas claro que passando, e diminuindo a carga horária, terá um impacto muito grande no custo, não das grandes empresas, como todo mundo acha, porque essas têm capital para fazer isso, mesmo que sintam. Mas o grande problema são as pequenas e microempresas. Estamos falando de empresas que precisarão contratar mais pessoas e, lógico, contratando mais, vai repassar o custo final para o consumidor”, comentou.
Para o economista, trata-se de uma discussão bastante válida, que vem para o crescimento do país e crescimento da Indústria de uma forma geral e para trazer bem-estar para as pessoas. “É uma discussão muito rasa ainda, e muitas águas ainda vão rolar por baixo dessa ponte”, ponderou.
No Brasil, a Indústria da Construção Civil é composta em sua maioria por pequenas empresas. Seu desenvolvimento depende de forma direta de sua mão de obra, cujo custo com ela chega a 40% da matriz total de produção, o que faz com que soe mais forte o alerta para o setor. Segundo à Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias – Abrainc, uma redução abrupta da carga horária, sem um ganho correspondente de produtividade, poderia desencadear efeitos colaterais severos, começando pela perda de competitividade das empresas, até os empreendimentos da habitação de interesse social, nos quais as margens de lucro já são bem apertadas.