Construir envolve uma extensa cadeia de matérias-primas, água, energia, transporte e geração de resíduos. Por isso, reduzir o impacto ambiental de uma edificação não depende apenas do que acontece depois que ela fica pronta. As escolhas feitas no projeto, na compra dos materiais e na execução da obra também interferem no consumo de recursos e na quantidade de resíduos gerados. Essa discussão também esteve presente na Ficons 2026. Entre os expositores que permitem abordar soluções relacionadas ao uso de recursos, materiais e sistemas estão a Compacta Ambiental, Rotoplast, Bakof e Kingspan Isoeste, além de fabricantes que apresentam alternativas industrializadas e tecnologias voltadas à eficiência das edificações.
Uma das mudanças em curso é a busca por maior precisão na utilização dos materiais. “Sistemas industrializados e componentes produzidos em fábrica podem permitir maior padronização e controle das quantidades utilizadas, enquanto processos de gestão e planejamento ajudam a identificar desperdícios antes que eles se tornem resíduos”, destaca o presidente do Sinduscon-PE, Paulo Wanderley.
A Rotoplast, líder mundial na fabricação de climatização evaporativa de grande porte, trouxe para seu estande suas soluções de climatizadores sustentáveis. “Essas máquinas não possuem compressor nem a necessidade de gás refrigerante. Elas funcionam puxando o ar do ambiente, faz a troca de calor através da água e climatiza desde indústrias até residências sem liberar gases de efeito estufa e sem afetar a camada de ozônio”, explica o representante da Rotoplast em Pernambuco, Wagner Martins. A fábrica da Rotoplast fica sediada em Santa Catarina.
Segundo Martins, o climatizador evaporativo é capaz de reduzir até 5 graus em áreas litorâneas mais quentes, como em Pernambuco, e até 12 graus no Sertão. “Como no Sertão é mais seco e a umidade é muito baixa, os nossos climatizadores evaporativos conseguem não apenas refrigerar como oferecer umidade ao ambiente”, completa.
Sustentabilidade começa nas decisões da obra
A discussão envolve também água e energia. Soluções de armazenamento e gestão da água, sistemas construtivos com diferentes características de desempenho e produtos voltados à eficiência mostram como decisões tomadas durante a construção podem repercutir durante toda a vida útil do imóvel.
Outro desafio está na destinação dos resíduos gerados nos canteiros. Reduzir perdas, separar materiais e buscar possibilidades de reaproveitamento são etapas de uma discussão que envolve construtoras, fornecedores, projetistas e empresas responsáveis pelo gerenciamento desses resíduos.
A empresa Compacta Ambiental é uma das expositoras que trabalha com gerenciamento de resíduos, tanto para o canteiro de obras quanto para indústrias, empresas e todo tipo de gerenciamento de resíduos. “Trazemos inovações na área de gerenciamento de resíduos sólidos, que facilitam o dia-a-dia das empresas e das construtoras para o descarte correto e resíduos de obras, até vidros, plástico, papelão e lixo comum”, detalha a diretora executiva da Compacta Ambiental, Ster Fairbancks.
Entre as soluções, estão as compactadoras estacionárias, caixas para poliguindastes, prensas estacionárias e caminhões roll on roll off.
Nesse contexto, a sustentabilidade deixa de ser apenas uma característica associada ao empreendimento pronto e passa a fazer parte da própria lógica de produção da construção.
De 15 até 18 de setembro, a Ficons reuniu diferentes elos dessa cadeia em um mesmo ambiente e mostrou como soluções aparentemente independentes (materiais, sistemas construtivos, gestão de resíduos, água e eficiência) podem contribuir para uma construção que utilize melhor os recursos disponíveis.