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Comunicação

O Construtor

Revista o Construtor | Ed. Nº 03 - 2016

Editorial

Editorial

A psicologia e o mercado

O Governo Federal vem divulgando notícias bastante positivas com o objetivo de reacender o ânimo do brasileiro e, por conseguinte, do setor privado - construção civil incluída. Começando pela redução por parte da Petrobras do preço da gasolina em 3,2% e do óleo diesel em 2,7% - as primeiras desde 2009, passando pela decisão do Comitê de Política Monetária - Copom de reduzir a Taxa Selic em 0,25% pela primeira vez em quatro anos, e culminando no anúncio de R$34 bilhões em recursos para habitação até o final deste ano.

Só esqueceram de contar que os preços da gasolina e do diesel em questão são os praticados na comercialização desses produtos para as distribuidoras, e que o etanol anidro, aquele mesmo que compõe 27% da gasolina que utilizamos em nosso veículos, aumentou desde 13 de maio, auge da safra, até hoje, 33%. Também não contaram que baixar a Taxa Selic de 14,25% para 14% ainda não dá para o brasileiro sentir no bolso a diferença, e que das 40 mil unidades residenciais do Minha Casa, Minha Vida que serão contratadas com os R$34 bilhões, apenas 10 mil serão no Nordeste e pouquíssimas em Pernambuco.

Mas para que o leitor não tire dessas minhas palavras conclusões equivocadas, deixo claro que ainda assim acho que as notícias devem sim serem comemoradas. De certa forma, elas estão alcançando alguns de seus objetivos. Em seu Twitter, o Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, ao comemorar os últimos fatos, deu «sem querer» a senha para uma melhor compreensão do que está acontecendo. Aproveitando os seus 140 caracteres, escreveu: «A confiança na retomada da economia do Brasil anda a passos largos». Notem bem essa palavra: confiança. Trata-se de uma variável tão abstrata quanto a efetividade prática desses últimos acontecimentos econômicos noticiados com tanto entusiasmo.

Acontece que nós brasileiros nos cansamos de notícias ruins, de resultados negativos e de esperar por tempos melhores. Estamos carentes de injeções de ânimo e o Governo Federal enxergou isso. Em contrapartida, respiramos fundo e decidimos seguir em frente. Para dar mais força à essa caminhada, nada mais eficiente do que mantras encorajadores. Porque essa é a psicologia da comunicação. E não é justamente essa tal comunicação a alma do negócio?