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A cidade deve ser pensada sem divisão por funções ou renda, diz Jaime Lerner

21/07/2020 -Fonte: Portal FolhaPE

Aos 82 anos, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner é mais um dos tantos brasileiros reclusos em tempos de pandemia. Mas o lápis não descansa. O novo coronavírus fez efervescer ainda mais a mente que não para. Trabalha em novos conceitos para cidades, com quadras menores, mais aconchegantes, espaços centrais para encontro de vizinhos e serviços acessíveis de saúde.

Afastado da política, Lerner foi prefeito de Curitiba por três vezes nas décadas de 1970, 1980 e 1990 e governador do Paraná por dois mandatos consecutivos (1995-2002). Restrito - via assessoria - a falar somente da profissão, em entrevista por telefone à reportagem ele deixa escapar entre as frases o que pensa da atual gestão sobre a crise. "O rodízio é uma espécie de cloroquina", disse, cutucando ambas as políticas, em São Paulo e para o Brasil.

Lerner ganhou projeção a partir dos moldes para Curitiba, como o calçadão da Rua XV, os parques e o sistema de transporte por canaletas exclusivas para ônibus. Já desenvolveu planos para Rio de Janeiro, São Paulo, Havana, Caracas e Shangai e outras. Em 2017, foi escolhido pelos leitores da revista Planetizen como o segundo urbanista mais influente do mundo.

Para as cidades no pós-pandemia, ele quer abolir a divisão dos bairros por função ou renda. "Diversidade é qualidade de vida", disse. Pensa em um novo papel para os carros, "o cigarro do futuro". As casas, prevê, serão como tartarugas que integram "minha casa, minha vida, meu emprego". Para reunir, quer o fim de condomínios horizontais, a "anticidade" para ele.



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