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Engenharia brasileira perde o pioneiro da construção civil Antônio Queiroz Galvão

19/01/2020 -Fonte: Portal JC Online - Economia - Blog Fernando Castilho

Antônio Queiroz Galvão, que nos deixou neste domingo, está para o setor da construção civil brasileira assim como está Norberto Odebrecht, fundador do Grupo Odebrecht e que, se estivesse vivo faria 100 anos em outubro, e Sebastião Ferraz de Camargo, fundador da Camargo Correia, o mais velho do grupo de cresceu no setor a partir de obras em São Paulo. Camargo, o China, cresceu por ocasião das obras de Brasília, Odebrecht também pernambucano, se estruturou na Bahia também no setor de obras públicas e barragens enquanto Galvão preferiu ocupar o Nordeste de onde também espalhou seus negócios para o Sudeste. Faz parte, portanto, do trio de jovens pioneiros que em meados do século XX ajudaram a inscrever o nome do Brasil no setor de grandes obras de engenharia.

Mais novo do grupo de pioneiros, O Queiroz Galvão chegou a ter 56 empresas de mercados distintos, como o de petróleo e gás, cultivo de camarões e exportação de frutas, além de possuir 45% das ações do Estaleiro Atlântico Sul, em Suape.

Ah, fundou um banco e foi o responsável pela estruturação da modalidade crédito consignado desenhada pelo Banco Galvão de Negócios (BGN) que primeiro emprestou a servidores públicos federais e depois virou um negócio que hoje a maior modalidade de crédito direto ao consumidor. Mas, o grupo saiu do negócio de banco ao vender a operação para o Creditt Suisse. Galvão também era conhecido no grupo por sua exigência com a rentabilidade do negócio o que era o “terror” de cada executivo na hora de apresentar os números de cada exercício.

A companhia estreou também no segmento de construção imobiliária onde ficou conhecida pela denominação de seus edifícios com a inicial MARIA acrescido de um segundo nome. O cuidado de Galvão com as especificações e qualidade de obra criaram no mercado uma marca de prestígio pela entrega do produto.

E como as gigantes do setor da construção, sua empresa também migrou para na América Latina e África chegando a marca de 30 mil pessoas sendo chegado a quarta posição de maior empreiteira do país.

Antônio nasceu em Timbaúba (na Zona da Mata Norte do Estado), sendo o segundo dos cinco filhos do comerciante de secos e molhados Antônio Albuquerque Galvão e Maria Augusta Queiroz Galvão. Com o passar dos anos, o comércio do pai prosperou e os filhos vieram todos para o Recife, morar na Boa Vista e estudar no Colégio Nóbrega (à exceção da irmã, que estudava no São José).

Num depoimento ao jornalista Drayton Nejaim , para a Revista Negocios de Pernambuco disse que virou engenheiro por influência de um professor do primário em Timbaúba, José Mendes, que comentou com o pai que os filhos tinham muita facilidade em aprender matemática. O mais velho, Mário, ingressou na Escola de Engenharia do Recife e no ano seguinte seria a vez de Antônio.

Os irmãos entraram para o funcionalismo público, indo trabalhar na Prefeitura do Recife. Em 1952 Antônio fundou com o colega Nilton Curcino a Construtora Freitas e Galvão. Com a desistência de Nilton da sociedade, ele convidou o irmão Mário para o negócio. Nascia em abril de 1953 a Queiroz & Galvão Ltda., cujo patrimônio era uma velha camionete Chevrolet, um jipe e um caminhão Ford.

A primeira obra de porte foi o serviço de abastecimento de água de Limoeiro em 1954. O foco da empresa voltou-se para a pavimentação, começando a atuar com obras complementares, como a drenagem das estradas, além da construção de rodovias, como a BR-101 Norte e Sul. Anos após decidiram investir no Sul/Sudeste, que concentravam recursos de infraestrutura muito maiores que o Norte/Nordeste.

Ainda segundo o depoimento a Drayton Nejaim, no governo Jânio Quadros (55-59), a empresa ganhou licitação no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de São Paulo, que serviria como “cartão-postal” para emplacar obras no mesmo órgão na cidade do Rio de Janeiro, para onde, em 1963, transferiram a sede. No mesmo ano, com a chegada dos irmãos João e Dario, a construtora mudou a razão social para Queiroz Galvão S.A. e pouco tempo depois já estava realizando obras para o DER do Paraná.

Nos anos 70, a companhia construiu as barragens de Tapacurá e Goitá, que livraram o Recife das enchentes. Na mesma década os filhos começariam a estagiar nas obras. No final dela, a empresa passou a atuar em Pernambuco construindo edificações residenciais, como os edifícios Maria Eduarda e Maria Juliana.

A década de 80 marcou a expansão das atividades do grupo com o início da exploração de petróleo e gás e a criação do Banco BGN. Nos anos 90 foi a vez de ingressar no mercado de concessões nas áreas de energia, rodovias e saneamento. Em 2006, Galvão iniciou o processo sucessório, auxiliado pela consultoria Renato Bernhoeft, profissional especializado em consultoria societária que acabou por entregar a operações da Companhia a executivos enquanto sua família ficou apenas nos conselhos de Administração.

Em 2013 por ocasião do dia do Engenheiro, o Grupo Queiroz Galvão, com 60 anos de atuação no mercado, foi homenageado, através da entrega da Medalha do Mérito José Mariano a seu fundador, engenheiro Antônio Queiroz Galvão, representado na solenidade pelo filho, Maurício José Queiroz Galvão, Presidente do Conselho de Administração do Grupo.

O Grupo Queiroz Galvão também sofreu com as investigações da Lava Jato, que fez a companhia encolher os negócios e foi o principal perdedor no pro0jeto do Estaleiro Atlântico Sul fechando ano passado após a entrega dos navios para a Transpetro da Petrobras.



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