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Expansão do setor imobiliário ainda não se reflete no Nordeste

26/11/2019 -Fonte: Portal JC Online - Economia

Otimismo e preocupação. Este são os sentimentos conflitantes e complementares dos empresários da construção civil em relação aos mais recentes números do mercado. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresentou ontem (25), em São Paulo, os indicadores imobiliários nacionais, sobre o desempenho do segmento no terceiro trimestre de 2019. O estudo feito pela CBIC e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) analisou dados das 17 maiores cidades brasileiras e as regiões metropolitanas de 10 capitais. O número de lançamentos de imóveis residenciais subiu 23,9% no Brasil no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Também foi registrada alta de 4,1% em comparação com o segundo trimestre deste ano.

Em relação às vendas, houve queda de 4,9% comparando ao trimestre anterior, mas alta de 15,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa baixa na comercialização das unidades nos meses de julho agosto e setembro pode ser considerada sazonal, por sofrer influência do período de férias do meio do ano.

O mercado apresenta desigualdades. A cidade de São Paulo representa 39% dos lançamentos e 32% das vendas no País. Em relação ao Grande Recife, a região registrou queda de 21,3% no número de unidades lançadas e redução de 39,1% em número de unidades vendidas em relação ao mesmo período de 2018. “O Nordeste como um todo teve queda de 16,8% nos lançamentos e 10,2% nas vendas. Isso acontece porque a economia da região ainda não está se movimentando positivamente como em outras regiões do País”, afirmou o vice-presidente de indústria imobiliária da CBIC e economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci.

NACIONAL

“O mercado está em um grande momento e poderá ficar ainda melhor. As taxas de juros a 5%, com tendência a cair, é o maior estímulo para o setor. Estamos otimistas, mas alertas ao mercado para baixa renda, provenientes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para que não haja desvio na condução desse dinheiro”, afirmou o presidente da CBIC, José Carlos Martins.

Segundo o estudo, mais da metade do número de vendas de imóveis é referente ao Minha Casa Minha Vida (MCMV), somando 50,7% de participação. Todos os outros padrões de imóveis representaram 49,3% das vendas. Outro dado relevante apontado é que cresceu de 45,9% para 56,9% a representatividade de imóveis do MCMV sobre o total de lançamentos em relação aos demais padrões imobiliários, comparando os terceiros trimestres de 2018 e 2019.

O presidente da CBIC afirmou ainda que “a expectativa é que os créditos para o MCMV se perenizem, devido à importância desse nicho para o mercado imobiliário e para a economia do País”.

Ao mesmo tempo, o economista Celso Petrucci se mostra apreensivo com os rumos dos financiamentos via recursos do FGTS. “Estamos assistindo a uma situação inusitada no País. Temos inflação sob controle, em torno de 3%, taxa de juros Selic em 5% com previsão de redução para até 4,5% até o final do ano, todo um ambiente favorável para o crescimento do setor em 2019 e em 2020, mas, na verdade, o que se projeta para os próximos anos é um orçamento decrescente em relação aos recursos do FGTS. Como posso entender um mercado que cresce em recursos da poupança em 30% e os recursos para a baixa renda estão caindo, justamente na faixa da população onde está o maior déficit habitacional?”, indaga Petrucci.

Segundo o economista, os recursos subsidiados do FGTS para 2019 são de R$ 9 bilhões e para 2020 a projeção é de R$ 7,2 bilhões. Com este cenário, a projeção de crescimento em lançamentos e de vendas para o setor em 2020 é manter os números de 2019, com alguns Estados crescendo acima da média. “Estados onde o setor depende menos dos subsídios do governo irão crescer mais”, alguns Petrucci.

EMPREGOS

Sobre a destinação de parte dos recursos do FGTS para o consumo, através do programa de saques extras, do governo federal, o presidente da CBIC, José Carlos Martins observa: “Não adianta estimular o consumo sem investimento. O setor imobiliário já é responsável pela geração de 15% dos empregos formais do País. Tirar recursos desse setor é reduzir a geração de empregos”, afirmou Martins.

Os índices de atividade e de emprego da indústria da construção apresentaram melhora significativa em outubro em relação ao mês anterior, consolidando a tendência de crescimento do setor. É o que mostra a mais recente Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta segunda-feira (25) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador de atividade registrou 49,9 pontos, com acréscimo de 0,4 ponto ante setembro, e o indicador de número de empregados aumentou 1 ponto na comparação mensal, alcançando 48,5 pontos. Nos dois casos, é o maior nível dos últimos sete anos, segundo o estudo.

Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Dados abaixo dos 50 pontos mostram queda. No entanto, os dois índices estão muito próximos da linha divisória dos 50 pontos e superam os valores verificados no mesmo mês do ano passado.

Além disso, o nível de atividade é 2,2 pontos maior, e o de emprego está 3,6 pontos acima do de outubro de 2018.

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