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Obras seguem a passos bem lentos - Sinduscon PE

Obras seguem a passos bem lentos

19/06/2022 - Fonte: Jornal do Commercio - Cidades

Apenas em torno de 33% das desapropriações previstas foram feitas oito anos após o início da execução da urbanização da Bacia do Fragoso, em Olinda, um grandioso pacote de obras que inclui o Canal do Fragoso, a Via Metropolitana Norte e uma lagoa de retenção. A constatação foi feita a partir de dados apresentados ao JC pela Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab) e pela Prefeitura de Olinda. Enquanto isso, a população segue sofrendo com efeitos da chuva, maximizados desde o início do serviço. Até agora, 800 de um total de 2.300 imóveis foram desapropriados pela Cehab para tocar o revestimento no rio e o sistema viário. Já a lagoa fica a cargo do município, que precisa retirar os 97 imóveis previstos. Isso significa que os olindenses ainda devem esperar muito pela conclusão do projeto, já que a derrubada é o primeiro passo para início de novas etapas nas obras, que deveriam ter sido entregues em 2016. “A Cehab nos disse que iria finalizar em 2022, mas adianto que isso não vai acontecer. Não há como estabelecer um prazo seguro, porque ela tem dificuldade para negociar com alguns imóveis que acabam indo para o judiciário”, explica o auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Alfredo Montezuma, que fiscaliza as obras desde o início.

O TCE estima que os custos para o projeto ultrapassem os R$ 414 milhões fora as desapropriações, orçadas em torno de R$ 100 milhões. Segundo Montezuma, a negociação de quatro imóveis foram entraves na primeira etapa das obras, entregue em março de 2020 com o revestimento de 2,3 quilômetros do Canal do Fragoso, da Avenida Coronel João Melo de Morais até a altura do Maxxi Atacado, e a construção de oito pontes. Agora está em fase de finalização a pavimentação de duas faixas de rolamento às margens do canal, que vão da altura da Avenida Coronel João de Melo Morais até a Rua Bom Jardim, no bairro Jardim Fragoso. Também estão sendo construídas as duas alças de acesso que vão da PE-15 até as marginais do canal do Fragoso, e a pavimentação das duas vias marginais, no trecho entre a rua Bom Jardim até a Avenida Sérgio G. Vasconcelos. Segue em fase de licitação a obra do trecho entre a ponte de Rio Doce e a Avenida Sérgio G. Vasconcelos, enquanto o trecho entre a Ponte de Rio Doce até a Ponte do Janga ainda aguarda liberação de recursos do Governo Federal. Enquanto isso, o revestimento de 2,1 km do canal e a pavimentação de duas faixas de rolamento ainda dependem da conclusão das desapropriações entre a Avenida Sérgio G. Vasconcelos até a ponte do Janga. Para a população que terá de deixar as casas, o principal embate são os valores pagos pelo poder público, como relata o pedreiro Lindemberg Cardoso, de 41 anos. “Minha casa tinha mais de 100m² e era no valor de R$ 160 mil, mas me deram R$ 86 mil. Morei dois meses de aluguel porque tive que sair de lá com 15 dias quando deram o dinheiro”, conta. Montezuma, no entanto, pontua que a região das obras foi sendo irregularmente ocupada com o passar dos anos, e cobra controle urbano no município.

“Nem todo mundo está nessa situação de morar há décadas em um local precisar sair. Quando vemos imagens de drone do Fragoso comparando com anos atrás, vemos uma expansão da ocupação. Por isso criticamos a prefeitura, porque se não fizer um controle adequado, vamos ficar enxugando gelo. Desapropriam, não atacam logo e as pessoas invadem novamente”, disse. O atraso prejudica os moradores do entorno, que todos os anos sofrem com alagamentos nos períodos de chuva. É o caso da autônoma Andreia Neves, 35, que, nas últimas semanas de forte precipitação, perdeu móveis e eletrodomésticos. “Até o meu teto está caindo. Fiquei desabrigada com meu bebê e minha filha com a água em um metro e meio. Não temos ajuda psicológica ou financeira do governo e da prefeitura, nem mesmo informação para mim, que sou representante comunitária. O descaso é total”, diz. Na última quarta-feira, foi realizada uma audiência pública na Câmara Municipal de Olinda para discutir o atraso na conclusão das obras, com a participação de mais de 100 pessoas. Entretanto, o vereador Jesuíno Araújo (Cidadania), que presidiu a sessão, criticou a postura da Cehab na ocasião. A audiência foi desmobilizada pela falta de representantes da Cehab, que mandou uma pessoa que não conhecia o projeto do Fragoso. Ele não conseguiu responder a uma só pergunta dos moradores, disse que iria passar tudo. Ficamos indignados pelo tratamento da Cehab aos moradores de Olinda e a questão do Fragoso”, pontuou ele, que irá requisitar reunião com o governo do estado para tratar do assunto



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