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Comunicação

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Fonte: JC | 28 de fevereiro de 2018

O renascimento metropolitano

Passaram-se duas gerações para que nossos dirigentes começassem a dar sinais de que estão apreendendo o significado de o que seja um espaço urbano metropolitano. Um avanço lento que começa a ganhar forma e deve ser enfrentado com celeridade para superar o tempo perdido, sob pena de se passar atestado de desconhecimento de o que sejam as regiões metropolitanas criadas em 1973. A urgência de se aplicar a concepção desse espaço urbano é tanto mais urgente quando se sabe que temos pela frente novos problemas a serem resolvidos e até antecipados, com a possibilidade de criação de unidades político-regionais por vontade dos legislativos estaduais. Antes disso, a expectativa é que saia do papel o Conselho de
Desenvolvimento Metropolitano a fim de cuidar do primeiro grande desafio: fazer com que os 15 municípios que fazem a Região Metropolitana do Recife se conscientizem de que são um acumulado de velhos problemas cuja solução deve ser compartilhada a partir dos conceitos de formação metropolitana e conurbação.

Não é preciso grande esforço para perceber o que significa a conurbação do Recife e cidades vizinhas. Basta uma viagem aérea para se ter noção, na partida e na chegada, de que a nossa capital não é uma estrutura urbana autônoma, com fronteiras, com limites. Tanto faz ver a cidade do Recife como Jaboatão, Moreno, Olinda, São Lourenço, em tentáculos que se estendem até o conceito legal de região metropolitana, sujeito às dificuldades reais e comuns a todos, pelas necessidades de habitação, de transporte, de trabalho, escola, saúde, etc. Tudo isso era de domínio comum desde os anos 60 do século passado, quando o êxodo do campo expandia, ou inchava, os centros urbanos onde era possível encontrar equipamentos e serviços sociais que não havia nas pequenas comunidades. Como ainda não há.

O resultado é, também, evidente: o aumento acelerado das demandas e a resposta em doses lentas, chegando a um ponto crucial, como agora, quando se chega ao óbvio, tratar de forma metropolitana todas as comunidades que lhe deram forma. A evidência, contudo, não é tão pacífica como seria de se imaginar. Pelo menos no caso da Região Metropolitana do Recife estão criando chifres em borboleta, questionando-se a partilha de votos, quem tem mais, quem tem menos. São sinais preocupantes de uma burocratização e de desvio de objetivos que comprometem a necessidade de celeridade na efetivação do que já deveria ser prática comum, corriqueira, há quase meio século. Talvez se devesse aconselhar a todos os protagonistas dessa nova etapa de um velho problema que se trata de uma partilha comum aos 15 municípios, a mais da metade da população de Pernambuco, então cabe deixarem de lado as filigranas, muitas vezes tolices provincianas, e cuidarem do fundamental: todos que ocupam o espaço metropolitano têm direito de compartilhar dos serviços públicos essenciais e do pleno funcionamento das instituições, sejam municipais, estaduais ou federais.