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Fonte: Jc | 27 de fevereiro de 2018

Bancos aumentam taxas em janeiro

MERCADO Mesmo com a Selic em baixa, instituições subiram juros para empréstimos a famílias.

Apesar de o País estar num processo de queda da taxa básica de juros, os bancos aproveitaram o início do ano — quando os brasileiros têm contas extras para pagar, como matrícula, material escolar e impostos — para aumentar as principais taxas cobradas em empréstimos às famílias. Os juros do cheque especial subiram 1,7 ponto percentual e chegaram a 324,7% ao ano em janeiro, o maior patamar desde maio do ano passado.

O crédito parcelado do cartão de crédito, consignado em folha de pagamento, pessoal, financiamento de veículos, renegociação de dívidas e rotativo regular do cartão e até a compra da casa própria estão mais caros. Cresceu justamente a parcela que inclui o lucro das instituições financeiras não apenas para pessoas fisicas, mas também de pessoas jurídicas.

De acordo com o Banco Central, o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio das operações de crédito ativas, chegou a 21,5% ao ano: alta de 0,1 ponto percentual no mês passado. Nas operações com recursos livres (sem contar financiamento de imóveis e crédito do BNDES), o indicador saltou 0,4 ponto percentual e chegou a 34,8% ao ano. Isso ocorreu num cenário de queda da taxa básica de juros que está no seu menor patamar histórico: 6,75% ao ano.

Desse custo médio das operações totais de crédito no Brasil, o spread bancário — quanto o banco cobra a mais do que paga pelo dinheiro, o que inclui seu lucro — alcançou 14,3 pontos percentuais: alta de 0,2 ponto percentual no mês.

Nas contratações com pessoas fisicas, a taxa de juros média situou-se em 32,3% ao ano com aumento de 0,4 ponto percentual no mês passado. O crédito pessoal, por exemplo, deu um salto de 9,3 pontos percentuais e chegou a 122,6% ao ano.

Trabalhador de empresa privada que pegou um empréstimo com desconto em folha de pagamento pagou 0,8 ponto percentual a mais que em dezembro e terá de arcar com uma taxa de 40,6% ao ano.

Para renegociar dívidas, o brasileiro paga em média 61,5% ao ano: 2,7 ponto percentual maior que no fim do ano passado. Já comprar o carro parceladamente ficou 0,6 ponto percentual mais caro e custa 22,7% ao ano. Para fugir do rotativo cartão de crédito e pegar um parcelado, o cidadão paga nada menos que 171 ,5% ao ano: 3 pontos percentuais a mais que no fim do ano passado.

Fernando Rocha, chefe do departamento econômico do BC, explicou que além de os bancos aumentarem algumas taxas de juros, há outro comportamento que influencia as estatísticas de janeiro: o aumento da procura por créditos emergenciais. Isso influencia os dados.

Segundo ele, esse é o caso do cheque especial. O economista diz que não houve alteração na média mensal cobrada pelos bancos, que continuou em 12% ao mês. A demanda, entretanto, aumentou em janeiro como sempre.

Questionado sobre o motivo de os bancos não mexerem nessa taxa, apesar da queda continuada da taxa básica de juros, a Selic, ele afirmou que será preciso um posicionamento do correntista para mudar o comportamento das instituições financeiras. "Todos nós gostaríamos que ela (taxa do cheque especial) caísse. Em relação a taxa da de juros do cheque especial, ela é elevada. A queda deve estar ligada à educação financeira e à capacidade das pessoas de não usarem esses recursos."