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Diário de Pernambuco - Local | 26 de outubro de 2017

O arranha-céu de quase um século

Hotel Central, edifício eclético classicista, era o mais moderno do Recife nos anos 1920. Fachada foi recuperada e área interna será revitalizada

Construído no terreno de uma antiga caixa d’água que alimentava os chafarizes do Recife, no número 209 da Avenida Manoel Borba, Boa Vista, o Hotel Central ostenta a fachada que foi toda restaurada. O primeiro arranha-céu da cidade passava por projeto de conservação desde novembro de 2016. Após a renovação da pintura, o prédio deve receber revitalização interna. Pesquisas históricas e de prospecção arquitetônica estão sendo finalizadas para serem enviadas à Fundarpe para conseguir a captação de recursos.

O projeto de restauro pictórico recebeu incentivo do Funcultura de R$ 250 mil. Na época das pesquisas foram encontradas oito camadas de cores. Por ter passado mais tempo em tons de rosa, essa foi a cor escolhida para contrastar com o verde escuro das janelas. Nesse primeiro momento, além do resgate da fachada, foram feitas obras de revitalização em toda parte de tubulação para não interferir na fachada.

Dessa vez, a equipe técnica analisa características internas do prédio que se prepara para receber modernização. Foi necessário refazer a planta do hotel com base em relatos em livros, jornais e fotografias da época. A planta original ainda não foi encontrada. “Estamos resgatando a importâncias histórica do prédio, assim como os traços da arquitetura atual. Fizemos um estudo em cada andar para chegar o mais próximo do original, além de um resgate da evolução do imóvel ao longo desses anos. Medimos e desenhamos todos os quartos para ter um registro de como o hotel está e a leitura espacial que temos dele é bem preservada”, revelou a arquiteta Marina Russell.

Durante as pesquisas foram identificadas modificações feitas na estrutura original. Algumas das informações que ajudaram a refazer a planta do hotel foram divulgadas pelo Diario em 1928, ano da inauguração do imóvel. O texto do jornal detalha características que hoje não existem mais, como o restaurante panorâmico, que funcionava no sétimo andar e um salão, onde hoje é a cobertura do prédio e que na época recebia eventos, como o chá dançante.

Atualmente, nos dois últimos andares do prédio foram instaladas duas suítes que dão acesso a um terraço aberto com vista para o Centro do Recife. Originalmente, no térreo havia dois salões, barbearia, cabeleireiro para senhoras e central telefônica. Erguido em concreto armado, uma novidade para a época, em estilo eclético classicista, o Central oferecia serviços considerados de luxo e que o tornaram pioneiro. Pela primeira vez no Recife, um hotel tinha telefone em todos os quartos e oferecia aos hóspedes banho quente e frio.

Alguns traços peculiares, como os dois primeiros elevadores instalados em um arranha-céu na cidade, e que ainda funcionam à manivela, serão mantidos após os restauros. Também ajudam a contar um pouco mais da história do lugar os azulejos de origem alemã da década de 1920, as pias antigas, os painéis e os espelhos dos banheiros. A proposta é preservar esses achados originais.