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Jornal do Commercio | 25 de outubro de 2017

Mais críticas às obras da BR-101

Entidades de engenharia condenam asfalto usado na recuperação da via

Depois de professores da UFPE e do Crea-PE alertarem, agora é a vez de três entidades nacionais de
engenharia civil se unirem para apontar os erros que os governos federal e de Pernambuco estão
cometendo nas obras de restauração dos 30,7 quilômetros do chamado contorno urbano que a BR-101
faz da Região Metropolitana do Recife, entre Abreu e Lima e Jaboatão dos Guararapes. Os alertas são,
basicamente, os mesmos: o primeiro e mais grave é a escolha do pavimento flexível (asfalto) para
substituir o que restou das placas de concreto implantadas 42 anos atrás, quando o contorno foi
construído. Depois, o modelo de contratação escolhido, que, na avaliação técnica, não é o adequado e
dificultará a fiscalização da obra.
As consequências das escolhas também são as mesmas apontadas anteriormente: em dez anos, talvez
até menos, os pernambucanos estarão trafegando numa rodovia repleta de problemas e os R$ 192
milhões destinados à obra terão sido desperdiçados. Uma escolha que, na avaliação das entidades que
assinam o documento, custará caro porque não suportará a demanda de veículos e, principalmente, o
excesso de cargas que a BR recebe. O alerta em forma de documento é assinado pela Associação
Brasileira de Engenheiros Civis em Pernambuco (Abenc-PE), a Associação dos Engenheiros de
Segurança do Trabalho de Pernambuco (Aespe) e o Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco
(Senge), e será entregue formalmente ao governador Paulo Câmara. Juntas, representam 20 mil
profissionais e especialistas em obras, serviços de engenharia, projetos e segurança do trabalho.
“Queremos destacar que esse alerta não é uma provocação. Também não tem conotação política nem
partidária. Fizemos porque o caminho escolhido para essa obra está errado e vamos nos arrepender
mais à frente. Estaremos jogando dinheiro fora e a população pagará por isso. Fazemos o alerta ao
governador Paulo Câmara e nos colocamos à disposição para auxiliar no que for preciso. Sugerimos
reunir um grupo de notáveis, algo semelhante ao que foi feito, anos atrás, quando o governo insistiu
em construir quatro viadutos transversais à Avenida Agamenon Magalhães, e desistiu depois de ser
alertado por profissionais experientes no assunto”, relembra Stênio Cuentro, presidente da Abenc-PE.
O pavimento, mais uma vez, é o grande equívoco. Os engenheiros, assim como os professores da
UFPE, defendem que o concreto ou pavimento rígido é a melhor opção. “Para trocar as 20 mil placas
de concreto que compõem o contorno da BR-101 gastaríamos, tendo como base a tabela de preços
paga pela Emlurb, R$ 100 milhões. Ou seja, é viável recompor o pavimento da forma certa. Esse
modelo que o DNIT escolheu e que o governo do Estado, via DER, está avalizando não é certo.
Deveríamos usar a mesma técnica de concretagem utilizada para fazer quase 400 quilômetros da BR-
101 Nordeste, inclusive em Pernambuco”, destaca Stênio Cuentro.
Segundo o engenheiro, a técnica adotada na obra se assemelha a uma obturação mal feita de um dente.

10/24/2017 JC Premium

http://jconlinedigital.ne10.uol.com.br/web/ 2/2
“Eles quebram e trituram as placas danificadas e repletas de asfalto jogado sobre elas por anos. Abrem
um buraco na base e o preenchem com o que chamamos de concreto pobre (CCR). Em seguida,
colocam asfalto sobre ele. Isso não vai funcionar. O pavimento flexível tem vida útil limitada porque
sofre com os efeitos do clima e do excesso de peso”, explica o engenheiro civil.