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Fonte: Folha de Pernambuco | 15 de agosto de 2018

Rachaduras, infiltrações e ferros expostos nas pontes do Recife

O desabamento da ponte no Norte da Itália, nessa terça-feira (14), que resultou na morte de pelo menos 35 pessoas, além de dezenas de feridos, reacende o debate sobre a manutenção correta desse tipo de estrutura viária

O desabamento da ponte no Norte da Itália, nessa terça-feira (14), que resultou na morte de pelo menos 35 pessoas, além de dezenas de feridos, reacende o debate sobre a manutenção correta desses tipos de estrutura viária. O Recife, por exemplo, conta com 27 pontes, algumas pontes seculares, como é o caso da ponte Princesa Isabel, que liga a rua da Aurora, no bairro da Boa Vista, à rua do Sol, em Santo Antônio.

Ela é a mais antiga da cidade, inaugurada em 1863, e só passou por manutenção uma vez, em 1963, quando a estrutura de ferro foi substituída por concreto armado. Em abril deste ano, a Folhaflagrou os problemas aparentes nas pontes da Capital. Na última terça-feira (14), a equipe fez novos registros.

De acordo com a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), órgão municipal responsável pelas pontes, há um projeto pronto para intervenções na Princesa Isabel, que foi encaminhado para o setor de captação de recursos, sem prazo para liberação da verba e realização da obra. Essa estrutura, assim como a ponte da Torre, na Zona Norte; Motocolombó, em Afogados, Zona Oeste; e a Estácio Coimbra, no Derby, área central do Recife, foram objetos de estudo recente realizado por estudantes de engenharia sob orientação do engenheiro Tibério Andrade, professor do departamento de engenharia civil da UFPE e especialista em concreto.
O estudo apontou rachaduras, infiltrações, buracos, ferros expostos, entre outros indicativos de deterioração. Ele explica que, no Brasil, ainda não existe a cultura de se pensar previamente na manutenção de pontes, o que evitaria custos mais altos voltados para obras emergenciais e até desabamento, como o ocorrido no mês de fevereiro em Brasília, quando um viaduto de pouco mais de 50 anos ruiu. “O correto é que quem executasse a ponte fizesse um manual de inspeção e manutenção. Esse manual deveria orientar o órgão responsável por essas pontes como fazer essa manutenção e a periodicidade dessas inspeções”, explica Tibério.

De acordo com o professor, as manutenções preventivas têm a função de reduzir a deterioração e o custo de manutenção corretiva, como é o caso do que acontece hoje nas pontes mais antigas do Recife. “Você pode fazer inspeções periódicas e prever a possibilidade eminente ou mais longa de que vai entrar na fase de corrosão. E pode evitar que essa fase de corrosão chega mais cedo, porque depois fica oneroso.” A deterioração química é a causa mais comum de agressão ao concreto. O processo de corrosão das pontes se dá por causa do meio ambiente.

“Com o tempo, agentes externos, por exemplo, sais do mar, carbonatação de CO2.. Eles penetram no concreto e atingem a armadura, que começa a corroer”, ressalta Tibério. A Emlurb informou que realiza vistorias periódicas nas pontes da cidade a cada cinco anos, como regem as normas de engenharia civil. Os técnicos analisam e catalogam os principais problemas. A Emlurb diz ainda que as últimas vistorias nas pontes do Recife foram realizadas no primeiro semestre deste ano.