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Fonte: Portal JC | 12 de agosto de 2018

Pernambuco tem mais de 1,5 mil obras paralisadas

Obras paralisadas em Pernambuco somam investimentos de R$ 6,2 bilhões

O rastro está por toda a parte, do Litoral ao Sertão. Percorrendo o Grande Recife ou pegando a estrada em direção ao interior, não é difícil ver obras que engordam a lista de 1.547 projetos de infraestrutura paralisados em Pernambuco, que somam investimentos de R$ 6,2 bilhões, R$ 1,9 bilhão já desembolsado. Também é extenso o rol de obras estaduais em projeto ou em intenção, espelhando a estagnação do mercado de infraestrutura no Brasil. Levantamento realizado pela Neoway – empresa de big data analytics que monitora fontes públicas e mercadológicas – aponta para uma projeção de investimentos em infraestrutura de R$ 719,2 bilhões entre 2018 e 2023, mas desse total apenas R$ 91,6 bilhões estão em andamento. Os R$ 627,6 bilhões restantes estão apenas no planejamento ou na intenção do governo e da iniciativa privada.

Em Pernambuco, dos R$ 80 bilhões previstos para os próximos 5 anos, R$ 77,3 bilhões também estão apenas no plano das intenções. “O mercado de infraestrutura deu uma parada por vários motivos. Chegaram ao mesmo tempo a crise econômica e as investigações da operação Lava Jato. O governo (Michel Temer) até anunciou o Projeto Crescer (lançado em setembro de 2016 para alavancar investimentos), mas o cenário do País não permitiu seu avanço”, observa a CMO e head de construção civil na Neoway, Cristina Penna.
Na última década, o Brasil vem investindo cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, ficando distante de países emergentes, como Índia e China, que aportam 5% e 8% na área, respectivamente. No documento Propostas da Indústria para as Eleições 2018, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) traz um capítulo sobre infraestrutura. De acordo com o levantamento, o Brasil teria que ampliar o investimento no setor para 4% do PIB nas próximas duas décadas para tirar o atraso dos anos de estagnação. Isso quer dizer aplicar R$ 8 trilhões em 20 anos. Nos anos 70, o País investia o equivalente a 5,5% do PIB em infraestrutura. Na década de 80, caiu para 3,62%, enquanto nos anos 90 ficou em 2,27%, em 2000 estagnou em 2,12% e no ano passado fechou em 1,40%.
CRISE

A crise econômica nos últimos anos acentuou o déficit que já se acumulava ao longo de décadas e expôs a incapacidade do governo de acompanhar a demanda dos investimentos diante de orçamento apertado, desequilíbrio fiscal e corrupção. “Quando olhamos para os projetos, percebemos que em 2009 pelo menos 70% dos investimentos em infraestrutura estavam voltados para a área de petróleo e gás. Depois da Lava Jato, o ranking mudou e hoje 48% estão em transportes e 26% em energia”, compara Cristina. No Nordeste, o setor de energia encabeça a lista dos projetos em intenção. “Em Pernambuco, essa tendência é ainda mais forte. Dos R$ 77,3 bilhões dos projetos em intenção, R$ 64,4 bilhões estão projetados para Termonuclear”, pontua a executiva da Neoway


A Eletronuclear – braço de energia nuclear da Eletrobras – estuda a instalação de uma nova usina nuclear no Brasil e o município de Itacuruba (Sertão do São Francisco) é candidato a receber a planta. “Esse é um projeto em estado latente. Existem muitas críticas à energia nuclear, porque falta oferecer informações à sociedade sobre esta fonte para além das histórias dos acidentes. É claro que existem riscos, mas se não forem tomados os cuidados necessários. No mundo são muitos os investimentos no setor. A China está construindo 25 usinas e tem outras 100 em planejamento. Isso sem falar que o Brasil tem um déficit no consumo per capita de energia, que hoje é de 2,5 mil kW por habitante por ano, mas que poderia chegar a 5 mil kW/hab/ano”, acredita o engenheiro consultor e ex-assessor da Eletronuclear, Carlos Mariz.

Ele diz que Itacuruba foi considerado uma localização interessante para a instalação da usina, em função da localização geográfica, do terreno plano e da disponibilidade de água. Importantes investidores no mercado brasileiro de energia, os chineses são apontados como prováveis parceiros num projeto de energia nuclear em Pernambuco. A participação da iniciativa, aliás, é considerada condição indispensável para que os investimentos em infraestrutura voltem a andar no País. Pelo estudo da CNI, hoje a iniciativa privada responde por 54% dos investimentos no setor, mas a meta é que chegue a 60% até 2022. No Estado, ainda estão previstos aportes em energia renovável (veja arte).

Além dos projetos que estão só no plano da intenção, Pernambuco tem uma extensa lista de obras paralisadas. “A crise econômica acabou diminuindo os repasses para Estados e municípios, mas esse não é o único motivo para o atraso e a paralisação das obras. Corrupção, erros de projeto e de planejamento também justificam os atrasos”’, afirma o auditor das contas públicas do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Pedro Teixeira. Em 2017, o levantamento do TCE identificou recorde no número de obras e nos valores, desde o primeiro levantamento realizado em 2014, com crescimento de 700%. Foram 1.547 obras com investimento projetado em R$ 6,26 bilhões. Desse total, só R$ 1,5 bilhão foi pago. “As modificações são tantas que chegam a alterar 70% do projeto. Isso significa uma nova obra e muitos problemas para concluir”, diz.