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Fonte:Diário de Pernambuco | 20 de julho de 2018

Praça do Derby à espera de adoção

Espaço tombado como patrimônio nacional pelo Iphan está sendo oferecido em duas partes para reduzir custos e atrair interessados em fazer a manutenção

Importante referencial urbanístico para o Recife, a Praça do Derby, que tem umas das mais ricas histórias entre todos os espaços públicos da cidade e desde 2015 é Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), está precisando de um adotante. A Prefeitura do Recife tem encontrado dificuldade em achar uma empresa que fique responsável pela limpeza, jardinagem e manutenção do mobiliário e dos equipamentos, como acontece em outras praças. Segundo a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), por possuir um projeto paisagístico de Burle Marx, a Praça do Derby demanda uma atenção especial, pois não se pode alterar o traçado original do projeto. Momento de incertezas financeiras também inibe interesse de empresas em assumir a adoção, diz o município.

De acordo com o diretor executivo de Parques, Praças e Áreas Verdes da Emlurb, José Carlos Vidal, o órgão tem um custo mensal de manutenção com o equipamento de R$ 10 mil, “considerando todos os serviços referentes à Emlurb. Não quer dizer que esse será o gasto mensal do adotante com a Praça do Derby, pois nesse valor estão inclusos serviços como manutenção de fonte luminosa, iluminação, poda, que compõem o custo geral. O adotante será responsável pela limpeza, jardinagem e manutenção do mobiliário e equipamentos”, ressalta José Carlos Vidal.

Entre 2010 e 2014, a Praça do Derby foi adotada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE), que depois assumiu os cuidados com a Praça do Entroncamento. “Desde 2014, a Praça do Derby ficou órfã e estamos tendo dificuldades em encontrar uma empresa que se dedique a cuidar do equipamento. Acredito que o fato dela ter um grande projeto paisagístico de Burle Marx, um pretendente à adotante pode se sentir monitorado por olhares fiscalizatórios, por se tratar de um parque urbanisticamente fundamental para o Recife”, pondera o diretor da Emlurb.

Segundo ele, quando um parque ou praça é adotado, acaba recebendo constantemente profissionais de manutenção para realização de serviços de emergência fora da rotina diária, expediente que não consegue ser abarcado pelo funcionalismo público, seja por falta de braço ou de recursos. “Essa atuação quase ininterrupta inibe muitas vezes ações de vandalismo e roubos de equipamentos da praça”, coloco Vida.

José Carlos Vidal lembra, contudo, que a Praça do Derby está em um local de grande circulação de pessoas e a adoção do espaço traz maior visibilidade ao adotante. “O estímulo à adoção vai de acordo com o local e a disposição do adotante e a sua capacidade financeira. Porém, em muitos locais, existe a adoção partilhada para diminuição dos custos, como acontece na Praça de Casa Forte. No caso do Derby, dividimos os dois lados para tornar mais atrativo para a adoção, com a diminuição das despesas”, afirma Vidal. A Praça do Derby conta com uma área de 26,3 mil metros quadrados.

Equipamento
A urbanista do Laboratório da Paisagem da UFPE Ana Rita Sá Carneiro lamenta a falta de interesse dos entes públicos e privados em adotar um equipamento tão fundamental para o Recife. “A Praça do Derby é um eixo estruturador muito forte não apenas para o Recife como para toda sua Região Metropolitana, tanto em relação à distribuição de linhas de ônibus, quanto pelo próprio desenho. É um ponto de concentração de causas e mobilizações políticas e humanitárias e de pessoas que circulam pela área, definindo seu caráter agregador. O próprio bairro do Derby foi originado a partir do parque. E hoje está bastante degradada, com calçadas esburacadas, bancos quebrados, pessoas colocando lanchonetes dentro da praça, o que não pode”, diz a urbanista. Uma das intervenções no projeto original do parque foi a implantação de um tanque em 1958 para abrigar um peixe-boi, batizado pelos recifenses como Xica, e que até 1992 foi uma atração do lugar.

Frequentador contumaz da Praça do Derby desde a sua adolescência, o professor Luiz Pereira, 54 anos, diz que alguns projetos, como os abrigos de ônibus, interferem na beleza do equipamento e corroem as famosas palmeiras do Derby. “Eu costumo vir aqui pelo menos umas três vezes na semana, seja para ler um livro, conversar com as pessoas, respirar. Porém algumas coisas como as paradas do BRT destoam da proposta dessa vasta vegetação”, diz Luiz, cujo local preferido da praça é a Ilha dos Amores.