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Comunidade da Brasília Teimosa aguarda habitacional

Fonte: Folha PE | 12 de maio de 2018

Comunidade da Brasília Teimosa aguarda habitacional

QUATROCENTAS FAMÍLIAS ESPERAM PELA MORADIA DIGNA PROMETIDA À COMUNIDADE HÁ SETE ANOS PARA O TERRENO DO ANTIGO AEROCLUBE

São 35 mil famílias que moram na comunidadede Brasília Teimosa, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. Dessas, cerca de 400 lutam por um teto digno, segundo o Conselho dos Moradores do bairro. Convivem com a esperança de, um dia, conseguir um apartamento nos habitacionais Encanta Moça I e II, que serão construídos em parte do terreno do antigo Aeroclube, às margens da via Mangue, também no Pina. Uma promessa da gestão municipal que não sai do papel há sete anos, mas que reacendeu em reunião na sede do conselho entre os moradores da comunidade e o secretário de Governo e Participação Social, Sileno Guedes, às 20h da última quarta-feira.

O encontro, ressalta a presidência do conselho, ocorreu como uma forma de acalmar os ânimos da comunidade, que prometia um protesto na saída do túnel do Pina a fim de cobrar a construção dos conjuntos habitacionais. Apesar de os entraves burocráticos alegados pela gestão municipal, a Autarquia de Urbanização do Recife (URB) esclareceu que a reunião foi para “reafirmar o compromisso da Prefeitura do Recife em desenvolver um projeto no terreno do antigo Aeroclube, contemplando a construção de moradias no local”.

Hoje, conforme o órgão municipal, a URB “vem estudando junto com a sociedade o melhor uso para o terreno do antigo Aeroclube e que os estudos passam por dar ao terreno um uso público diversificado que contemple tanto a questão da Habitação de Interesse Social, proposta original para o terreno e importante demanda das comunidades da Zona Sul do Recife, quanto a questão da sustentabilidade e prestação de serviços para a Cidade, dado o posicionamento estratégico e tamanho do terreno”. Paralelamente, conforme publicado no dia 3 de abril no Diário Oficial do Município (DOM), a URB lançou chamamento público para a contratação de empresa de engenharia com interesse em construir as 600 unidades habitacionais (sendo 300 em cada conjunto).

A URB, inclusive, afirmou que esse “chama­mento é o primeiro passo necessário para viabilizar o empre­en­di­mento com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida, sob coordenação e responsabilidade da Caixa Econômica Federal”. Mas, até que essa contratação aconteça, o dra­ma de muitos moradores da comunidade está lon­ge de acabar. É por meio de um beco estreito, ao ponto de passar apenas uma pessoa por vez, paralelo à rua Paru, que mora há 48 anos a dona de casa Luciene Leão, hoje com 51. É precária a situação: em apenas um cômodo, onde ela improvisa a cozinha, sala e quarto, mo­ram uma filha e três netos, além dela e o marido que ganha a vida com os trocados que recebe como flanelinha. “Mesmo com toda essa situação, não me entrego. É me contentar com o que pouco que tenho hoje e acreditar que Deus vai me dar mais lá na frente”, ressaltou.

Vizinha de Luciana, a também dona de casa Luciana Wanderley Costa, de 42, compartilha do mesmo sentimento. “Primeiro Deus para ter piedade da gente, depois, ter fé que as autoridades competentes tenham também, não é? Não é fácil conviver entre baratas, ratos e escorpiões. Só ano passado, fui picada por escorpião três vezes. Você dorme com medo de bicho e de chuva”, conta ela, que mora com o marido, quatro filhos e dois netos.

“Eu queria muito ganhar um teto, uma casa de verdade que tenha cozinha, sala e banheiro decentes. Queria muito isso antes de morrer: a certeza de que meus filhos e netos estarão bem.” Em nota, a URB assegurou que ca­so o projeto da empresa vencedo­ra do chamamento público seja a­pro­­vado, “o município fica respon­sável pela doação do terreno ao Fundo de Arrendamento Residen­cial (FAR), pela seleção das fa­mílias e acompanhamento social, além dos estudos de viabilida­de do terreno escolhido”, finalizou.