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Fonte: Diário de Pernambuco | 10 de maio de 2018

Esqueletos que assombram a cidade

Edifícios abandonados degradam entorno e evidenciam o desafio de utilizar melhor o espaço urbano. No Recife há pelo menos 40 construções nessa situação

Edifícios abandonados degradam entorno e evidenciam o desafio de utilizar melhor o espaço urbano. No Recife há pelo menos 40 construções nessa situação

A recente tragédia em São Paulo, com o desabamento de um prédio histórico, sinaliza um dos mais sérios e complexos problemas sociais brasileiros: a questão habitacional. O assunto é discutido há décadas, reforçando a necessidade de o Poder Público destinar recursos e repensar as políticas destinadas ao fomento de moradia de interesse social.

A avaliação é do presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE), Rafael Amaral Tenório, destacando que a situação do Wilton Paes de Almeida não difere de muitos dos bairros centrais do Recife e outras cidades, com imóveis abandonados e degradados.

“Não temos dúvida que o poder público, em suas diversas esferas, de alguma forma permite que isso se perpetue, sem uma ação enérgica e eficiente. Lembremos que muitos dessas edificações pertencem ao poder público”, ressalta.

O CAU enumera algumas ações que podem surtir efeito. Entre elas, a obrigatoriedade de propriedades federais e estaduais obedecerem ao regramento urbano municipal, e a implantação do IPTU pro gressivo para estimular ocupação de áreas centrais. Para Tenório, somente coordenando, de forma criativa e inteligente, políticas de financiamento, de acesso ao crédito, tecnologia e soluções inovadoras de projeto, será possível mudar o atual cenário.

O professor e arquiteto Roberto Salomão, conselheiro federal do CAU por Pernambuco, sugere a liberação de linhas de crédito para reabilitação de imóveis em áreas centrais, com suporte do Ministério da Cidades e da Cultura, Iphan, bancos públicos e privados; e a possibilidade de leiloar bens públicos nessas regiões para fins de moradia acessível.

Ele diz que enquanto nada é feito, conjuntos continuam a ser construídos sem conexão com as cidades, acumulando espaços sem uso.