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Fonte: Diário de Pernambuco | 19 de março de 2018

Uso da água no centro das discussões

Fórum Mundial, iniciado ontem em Brasília, pretende discutir até a próxima sexta-feira e criar uma política nacional de prevenção à escassez hídrica

A troca de conhecimentos durante o 8º Fórum Mundial da Água, que começou ontem e vai até sexta-feira, em Brasília, pode ajudar o Brasil a criar uma política nacional de prevenção à escassez hídrica. Essa é a opinião do coordenador temático do fórum, Jorge Werneck, que também é diretor da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Na avaliação dele, apesar de 19% da oferta mundial de água estarem no país, é um equívoco pensar que o Brasil tem abundância. “E quando há fartura ninguém se preocupa muito”, disse.

O especialista alerta que com as mudanças climáticas, as chuvas tornaram-se irregulares nos últimos dez anos, paralelamente ao processo de migração do campo, ocupações desordenadas e o uso crescente de água na agricultura. Desta forma, algumas cidades passaram a enfrentar uma crise hídrica, como é o caso de Brasília e São Paulo. ”A gente está vivendo um processo de urbanização muito grande com comunidades se juntando, em alguns locais temos os polos agrícolas com altas tecnologias baseadas em mecanismos de irrigação de grande parte do país onde não chove bastante como, por exemplo, no Nordeste”, disse, ressaltando que na região existem áreas onde não chove há seis anos.

Um exemplo bem-sucedido, segundo Werneck, que será apresentado no fórum, é a despoluição do Lago Paranoá, de Brasília. Outro projeto é a revegetação de áreas de proteção no Núcleo Rural Pipiripau, que envolve 150 produtores da região. O projeto é uma parceria da Embrapa e a Agência Nacional de Águas (ANA).

Durante o fórum, Werneck disse que a Embrapa apresentará, no dia 22 de março, a nova versão do Irrigaweb, ferramenta de capacitação em uso e manejo da irrigação, criada em 2015 e coordenada pela Embrapa Milho e Sorgo. Neste ano, o IrrigaWeb está programado para o período de agosto a dezembro. O pesquisador observou que quando o produtor perde uma safra, por exemplo, isto representa desperdício de água, pois será necessário usar novo volume de água para se ter uma outra safra, o que torna o manejo cada vez mais importante.

No Fórum, a Embrapa apresentará ainda a metodologia de mapeamento de serviços ecossistêmicos, cujo objetivo é auxiliar na gestão do território, contribuindo para melhoria da produção agrícola, de fibras, de energia levando-se em conta os impactos dessa atividade para a produção de água, estoque de carbono e manutenção da biodiversidade. “A gente tem buscado dentro da Embrapa desenvolver ferramentas que nos ajudem a fazer a agricultura cada vez mais sustentável de forma que a gente minimize os potenciais impacto ao meio ambiente”, enfatizou Werneck.

O Programa Nacional de Solos (PronaSolos), que está em andamento, prevê, por exemplo, um mapeamento preciso do solo de todo o país. A iniciativa deve levar pelo menos 30 anos a um custo estimado de R$ 3 bilhões. A estimativa é que o mapeamento proporcionará um ganho ao Brasil em torno de R$ 40 bilhões.

Instituto global

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, esteve reunida ontem com membros do Ministério Público brasileiro e de outros oito países para tratar da proposta de criação do Instituto Global do Ministério Público para o Meio Ambiente. O instituto vai reunir integrantes dos MPs do Brasil e do mundo em torno de temas ligados à proteção dos recursos naturais, com enfoque na água. A proposta do Instituto Global será oficializada amanhã durante o fórum. Raquel anunciará o texto final da proposta na sessão do Judiciário e do Ministério Público, marcada para as 14h no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. (AE e Agência Brasil)