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Comunicação

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Fonte: Portal G1 | 05 de setembro de 2018

Traficantes ocupam área que pode receber imóveis do 'Minha Casa, Minha Vida' na Zona Portuária do Rio

Segundo concessionária, Rua do Livramento tem 14 locais que podem receber moradias populares; 5 mil unidades foram anunciadas por ministro. Região tem casarões usados como postos avançados do tráfico da Providência e barricadas.

Localizada na Gamboa, Zona Portuária do Rio, a Rua do Livramento é uma das áreas apontadas pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Área do Porto (CDURP) como espaço com grande potencial para construção de unidades populares na Zona Portuária do Rio de Janeiro. No entanto, para que isso aconteça, um problema grave precisa ser resolvido antes: a insegurança.

Na via, há forte presença de traficantes do Morro da Providência – os bandidos transformaram os antigos casarões construídos às margens da rua em postos avançados do tráfico de drogas.

Segundo o delegado Reginaldo Guilherme, existem três inquéritos na 4ª DP (Central) que investigam a presença de traficantes nos casarões da Rua do Livramento.

O local fica a apenas 1,5 quilômetro da Central do Brasil, onde funciona a sede da Secretaria de Estado de Segurança Pública.

Armados e, muitas vezes, misturados a moradores de rua que também invadiram os casarões, os criminosos mantêm estreita vigilância sobre quem passa pelo local.

"Eles ficam ali o dia inteiro, vendendo drogas no interior dos casarões e vigiando quem passa pelo local. Vários usam armas. Eles prestam bastante atenção às pessoas e carros que passam pela Rua do Livramento. Muitas vezes saem dos casarões e ficam próximos à saída do Túnel João Ricardo, não muito longe da Central e do acesso ao teleférico da Providência", disse um morador da Providência, que pediu para não ser identificado.

A Livramento é uma via crucial para o projeto de transformação da Zona Portuária em uma área residencial. Segundo levantamento feito pela própria CDURP, existem pelo menos 14 áreas que podem ser utilizadas como locais para a construção de moradias populares, incluídos imóveis do programa "Minha casa, minha vida".

No último dia 22, o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, esteve no Rio e anunciou a intenção de construir cinco mil unidades habitacionais no local. O projeto está em discussão com a Caixa Econômica Federal.

Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, técnicos estão na Zona Portuária e fazem o levantamento dos locais para a construção das unidades populares – a Rua do Livramento estaria entre esses espaços.

O problema da invasão de casarões por parte de criminosos no entorno do Morro da Providência existe há pelo menos oito anos.

Segundo o estudo "Um emaranhado de casos: tráfico de drogas, estado e precariedade em moradias populares", feito pelas pesquisadoras Patrícia Birman, Camila Pierobon e Adriana Fernandes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em abril de 2010, pouco depois da inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na comunidade, diversos traficantes da Providência se transferiram para casarões da região.

"A Rua do Livramento está na base do Morro da Providência, os traficantes andam pela via quando querem. A polícia sabe disso, mas não consegue mudar essa situação", reclamou o morador.



Fonte: Portal NE10 | 05 de setembro de 2018

Preço de imóvel acumula queda real de 18%

De acordo com especialistas, apesar da queda, existe uma tendência da retomada do mercado imobiliário já no início de 2019

Com a economia andando de lado e o consumidor evitando fazer dívidas, o preço dos imóveis residenciais tem variado abaixo da inflação há mais de três anos e meio, segundo a pesquisa FipeZap. Desde dezembro de 2014, a variação do preço de compra da casa própria, em 20 cidades, perde da inflação, considerando a variação em 12 meses.

A queda real dos preços dos residenciais entre o começo de 2015 e agosto deste ano é de 18,2%. Assim, um imóvel que era vendido por R$ 500 mil em janeiro de 2015 seria ofertado hoje por cerca de R$ 408,8 mil. Neste ano, até agosto, houve uma queda real de 3,14% nos preços dos imóveis prontos.

A reversão de expectativas quanto ao crescimento do país este ano e as incertezas eleitorais em outubro devem postergar a retomada do mercado imobiliário em todo o país, na visão do economista Bruno Oliva, da Fipe. "O impacto das incertezas no mercado imobiliário é duradouro, porque o consumidor vai pensar muito bem antes de se aventurar em uma dívida que pode durar até 30 anos."

O pesquisador do Núcleo de Real Estate da Poli-USP João da Rocha Lima Júnior lembra que o mercado imobiliário, após uma onda de otimismo antes da crise, amargou uma desaceleração forte nos últimos anos. "O setor teve de se adequar, segurar preços e rever lançamentos para reduzir as perdas."

Na virada de 2014 para 2015, a deterioração da economia começou a se refletir na alta dos distratos - como é chamada a desistência da compra de imóveis novos. Um levantamento da Fitch, feito com nove empresas do setor, apontava que de cada 100 imóveis vendidos em 2015, 41 foram devolvidos.

Para o diretor de vendas da Lello, Igor Freire, os preços de imóveis variam abaixo da inflação porque vinham de uma sobrevalorização dos anos anteriores à crise. "Na média, hoje, o vendedor tem concordado em dar descontos de 7% a 10% para não perder a venda."

Matheus Fabricio, diretor executivo da rede de imobiliárias Lopes conta que, nas últimas 150 vendas feitas pelo grupo em São Paulo, a média de descontos que o comprador conseguiu foi de 9%. "Nos imóveis de alto padrão, chegou a 15%."
Desaquecimento

Com o desaquecimento do mercado, o proprietário foi obrigado a ceder e fazer uma avaliação realista do preço do imóvel, diz. Ele lembra de uma propriedade na zona sul de São Paulo que ficou mais de dois anos à venda, até que o dono aceitasse baixar o preço em 39%.

Na avaliação dos especialistas ouvidos pelo Estado, a tendência é que os preços dos imóveis não tenham uma variação significativa no começo de 2019, devendo voltar a registrar aumentos reais entre o fim do ano que vem e 2020.




Fonte: Diário de Pernambuco | 04 de setembro de 2018

Eleição presidencial e consolidação de uma agenda urbana nacional

School of London e professor associado da UFPE

A pouco mais de um mês das eleições presidenciais, continuo, assim como muitos brasileiros, indeciso quanto ao meu voto. Ciente da relevância desse pleito – provavelmente o mais importante desde a redemocratização do país – tenho procurado assistir com atenção a todas as manifestações dos candidatos, em busca de argumentos que fundamentem a minha escolha. Com propostas de governo (se é que podemos chamá-las assim) frágeis e repetitivas, os presidenciáveis reproduzem as vagas promessas de sempre. E o que mais me chama atenção é que, até o momento, nenhum deles mencionou a palavra urbanismo.

É fato que questões referentes ao planejamento territorial são de competência do governo municipal, portanto, de responsabilidade dos prefeitos e vereadores. Porém, a população urbana brasileira continua crescendo de forma acelerada e, atualmente, mais de 80% dos brasileiros vivem em cidades. Somos um dos países mais urbanos do mundo, mas não podemos dizer que somos um dos mais urbanizados. As metrópoles brasileiras apresentam déficit habitacional gigantesco, segregação sócio-espacial intensa, transporte público de péssima qualidade, violência urbana assustadora, além de muitas outras mazelas que caracterizam um quadro nacional de profunda crise urbana. A dimensão urbana mudou de escala e a única maneira real de melhorar a vida da grande maioria dos brasileiros é através de uma sólida proposta nacional de política urbana.

A Constituição de 1988 estabeleceu esse novo papel do governo federal no processo de planejamento municipal quando criou dispositivos constitucionais urbanísticos, regulamentados pelo Estatuto da Cidade (2001) e institucionalizados através da criação do Ministério das Cidades (2003). Entretanto, o aparato institucional criado para conceber e implementar as políticas urbanas nacionais ainda não foi capaz de produzir resultados expressivos no desenvolvimento das nossas cidades. Os poucos projetos concebidos pelo Ministério das Cidades que alcançaram repercussão nacional, como por exemplo o Programa Minha Casa Minha Vida, apresentam grandes deficiências técnicas já amplamente reconhecidas. Talvez por isso, a maior ingerência do governo federal nas questões urbanas não esteja sendo devidamente contemplada nos debates, e alguns candidatos podem estar até mesmo questionando a sua relevância. Um dos candidatos, inclusive, propõe explicitamente, se eleito, a extinção deste ministério.

O fortalecimento político-institucional do Ministério das Cidades e a consolidação de uma agenda urbana nacional serão imprescindíveis para o sucesso do próximo mandato presidencial. A recuperação da economia, tão aclamada pelos candidatos e seus eleitores, só trará benefícios concretos para a população se vier acompanhada de propostas consistentes de desenvolvimento territorial e de gestão urbana. Nada adiantará voltarmos a ser a sétima economia do mundo se isso não se transformar em melhoria da qualidade de vida das pessoas. Os protestos que explodiram nas principais cidades do país, em junho de 2013, em que as pessoas reivindicavam melhorias urbanas, demonstram que a população já percebeu a relação intrínseca entre qualidade de vida e cidade. Só falta agora os políticos entenderem que o instrumento capaz de realizar essa transformação é o urbanismo.



Fonte:Diário de Pernambuco | 04 de setembro de 2018

Noronha terá novo terminal de passageiros

Reforma emergencial custará R$ 6 mi e inclui ainda terminais para práticas aquáticas e para cargas

O porto de Santo Antônio, em Fernando de Noronha, que atualmente serve como o terminal oficial de cargas e de passageiros na ilha, será desmembrado em três portos até o primeiro semestre de 2019. Isto porque, a administração do arquipélago lança esta semana, no Diario Oficial, o edital do chamamento público para contratação da empresa que fará a reforma total do porto. O valor estimado da obra, que é emergencial e precisa ter início imediato, é de R$ 6.011.002,84.

Os interessados têm até o dia 14 deste mês para apresentar as propostas. A ideia da administração é construir um terminal para passageiros e um para mergulhos e atividades aquáticas e reformar e reforçar a estrutura do terminal atual, que ficará apenas destinado ao recebimento de cargas.

“A gente está colocando essa obra como emergencial porque a situação do terminal está precária, a base flutuante, inclusive, afundou, que era uma base de atracação das embarcações. Por esse porto, passa todo o abastecimento da ilha, não podemos ter o risco de perder tempo nessa reforma”, afirma Jorge Araújo, coordenador geral de Fernando de Noronha. Segundo ele, com a obra, o porto atual será dividido em três terminais e o principal, o de cargas, que recebe quase 4 mil toneladas, terá um reforço em sua estrutura. “Hoje, ele aguenta 800 quilos por metro quadrado e, após a reforma, essa capacidade irá dobrar”, detalha.

O prazo de execução da obra é de cinco meses, logo, a partir da divulgação do vencedor do chamamento, o que deve ser feito ainda em setembro. Durante esse período serão feitas interdições e readequação do embarque e desembarque de passageiros e de embarcações que chegam com mantimentos para Noronha, ou seja, o porto não ficará paralisado. Ainda de acordo com o gestor, Santo Antônio é o fluxo dos passeios turísticos também movimenta muito o porto, especialmente no período das festividades de final de ano, onde aumenta consideravelmente.

“A situação foi agravada com a ruptura de estruturas do cais, comprometendo as operações de carga e descarga dos navios, como o embarque e desembarque de passageiros e turistas executados no mesmo local. Estamos com um prazo apertado. O início das obras, inclusive, está previsto para começar já na segunda quinzena de setembro”, completa Araújo. Ele acrescenta que o valor das obras será pago com recursos próprios do orçamento do arquipélago.



Fonte: Diário de Pernambuco | 30 de agosto de 2018

Os palacetes da Benfica do séc. 19

Os imóveis em estilo neoclássico serviam de casa de veraneio da nobreza pernambucana, que viajava a cavalo da Boa Vista até a Madalena

Os sítios onde a nobreza recifense do século 19 veraneava formam uma das ruas mais charmosas do Recife. Os casarões da Rua Benfica, na Madalena, remontam à época dos banhos de rio no Capibaribe, dos jardins vistosos e dos bailes nas varandas. Para relembrar o período, o Diario conta as histórias de seis dos imóveis instalados ao longo da via.

O secretário perpétuo do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), Reinaldo Carneiro Leão, explica que os casarões não eram a primeira residência dos negociantes, políticos e senhores de engenho. “Eram casas de verão dessa nobreza, que morava no Centro. Imagine que se deslocar de lá até a Madalena naquela época levava tempo. A cavalo, o trajeto era de aproximadamente uma hora”, ressalta.

A área de moradias do bairro da Boa Vista terminava, junto ao Rio Capibaribe, diante da Ilha do Retiro, que na época pertencia à Madalena. “Desde a atual Praça do Chora Menino, um caminho seguia, hoje Rua do Paissandu, até uma passagem em barco para as terras do Engenho da Madalena”, destaca o arquiteto e urbanista José Luiz Menezes.

Com o engenho sem moer, as terras foram loteadas, o que aconteceu com as de outros engenhos, como o da Torre. “Ao longo da margem do rio, no lado da Madalena, foram sendo construídos, em sítios, vários solares. A maioria era casa de verão de negociantes ou gente de dinheiro. Naquela passagem de barco tem início no século 19, mais ou menos em sua metade, essa ocupação”, afirma Menezes.

Os palacetes eram dotados de jardins, na parte do rio, onde ficavam os trapiches para pegar um barco e ir até o Centro do Recife. “Os solares são exemplares de uma arquitetura rica em mobiliário e luxo. Mais na direção do bairro da Torre, e depois em outros locais onde antes existiam terras de engenhos, vários solares e palacetes foram sendo construídos. Eram cerca de 80 moradias de luxo. A maioria dessas casas era de gosto neoclássico. Elas inauguraram uma nova maneira de morar, junto a uma natureza com jardins e áreas arborizadas; uma moda à inglesa ou francesa no Recife”, pontua o arquiteto.

Esses solares e palacetes foram estudados e serão descritos detalhadamente no livro Solares e Palacetes da passagem da Madalena, Ponte d’Uchoa, Poço da panela e Apipucos, que será lançado em setembro por José Luiz Menezes. “No livro, são estudadas a origem e os modelos adotados para tais edificações luxuosas”, adianta o pesquisador.

Número 150 (Facepe)
O casarão onde funcionava a antiga Escola de Belas Artes abriga hoje a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe). Duas esculturas de leões, posicionadas ao lado do portão de acesso ao imóvel, foram mantidas. Inicialmente, a faculdade oferecia cursos de arquitetura, pintura e escultura. Depois, foram incluídos, em 1958, os cursos de música e arte dramática. Em 1976, a Escola de Belas Artes de Pernambuco foi extinta para, juntamente à Faculdade de Arquitetura, ao Departamento de Letras e ao curso de Biblioteconomia, formar o Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Número 157 (Centro Cultural Benfica)
O número 157 da Rua Benfica é ocupado pelo Centro Cultural Benfica, mantido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde acontecem lançamentos de livros, projeção de filmes, apresentação de peças teatrais, concertos musicais, exposições artísticas. No casarão ocre do século 19 também são realizados cursos, seminários e palestras. É tombado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) desde 1981. O centro abriga três instituições: o Teatro Joaquim Cardozo, o Instituto de Arte Contemporânea (IAC) e o Acervo Museológico Universitário, que era da Escola de Belas Artes.
Número 198 (Batalhão de Choque)
O casarão do número 198, de acordo com o próprio Batalhão de Choque Mathias de Albuquerque (BPChoque), que ocupa o terreno, “pertenceu à família Rosa e Silva, de grande influência política e patrimonial, até o ano de 1950, quando foi adquirida pela Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco. O imóvel pertence à União, mas é cedido em comodato ao governo do estado. Lá também funciona a Escola Municipal Soldado José Antônio do Nascimento. “A faculdade de ciências médicas, que hoje pertence à UPE (Universidade de Pernambuco) foi criada e funcionou por cerca de 30 anos nesse local”, explica o secretário pérpetuo do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), Reinaldo Carneiro Leão.
Número 251 (Blue Angel)
O casarão neoclássico do número 251 onde funciona o buffet Blue Angel era propriedade de um senhor de engenho e ocupava o número 15 numa localidade então conhecida como “Passagem da Madalena”, onde eram realizadas travessias feitas por balsas. Dados registrados no livro genealógico da família Gomes Leal datam a construção do imóvel ao ano 1860 por Marcelino Gonçalves da Fonte, que o vendeu a Manuel Marques Amorim. Em 1919, a casa foi vendida a João Cardoso Ayres, pai do pintor Lula Cardoso Ayres, que usava como ateliê a ala tipo senzala do local, conservada até hoje. A atual proprietária, Frederika Von Söhsten, alugou o imóvel ao buffet.
Número 286 (Casarão sarraceno/GGE)
Único imóvel de estilo sarraceno - uma das formas usada pelos cristãos da Idade Média para designarem genericamente os árabes ou os muçulmanos - no Recife, segundo a placa turística mal conservada afixada em frente ao prédio. A construção foi feita por um moçárabe (como eram chamados os cristãos ibéricos que viviam em território muçulmano) à moda de um castelo do islã. O estilo pode ser percebido nos vitrais coloridos e nos detalhes da fachada, ainda conservados. No começo do século 20, funcionava a Pensão Landy, hotel onde os políticos costumavam reunir-se. Atualmente, é uma das unidades do Colégio GGE.
Número 305 (Instituto Confúcio)
O sobrado do século 19 no número 305 passou anos abandonado. Em 2017, foi reaberto depois de ser reformado e é sede do Instituto Confúcio Modelo, instituição ligada à UPE voltada para a difusão da cultura e da língua chinesa no Nordeste. Até então, o imóvel sempre havia tido uso residencial. Foi desapropriado pelo governo do estado como contrapartida de dívidas de IPTU. Em maio de 2012, a universidade tomou posse do prédio. Antes disso, a edificação tinha sido alvo de disputa judicial entre herdeiros. O último morador havia transformado o jardim e o quintal do casarão em estacionamento, que foi todo revitalizado.



Fonte: Diário de Pernambuco | 30 de agosto de 2018

Beira Rio é trunfo para perimetral

Autarquia de Urbanização (URB) destaca a importância dela na implantação do corredor

Neste sábado, um trecho da Avenida Beira Rio, entre as ruas Dom João de Souza e Demóstenes Olinda, no bairro da Madalena, será interditado para a continuidade dos serviços de drenagem incluídos na obra de requalificação da 2ª Perimetral. Os primeiros trabalhos tiveram início em outro trecho da Beira Rio, na Torre, no fim do mês de julho. Apesar dessa via não estar incluída no grande corredor que forma a perimetral, a Autarquia de Urbanização (URB), responsável pelo projeto, informou que a rede de drenagem do corredor viário é interligada com a da Beira Rio e deságua no Capibaribe. Segundo especialistas, se o projeto de infraestrutura for aliado a outros estudos, como a revisão das linhas de ônibus, esse corredor pode ser a promessa de salvação da mobilidade da Torre e da Madalena.

“A requalificação da 2ª Perimetral é importante para resolver entraves na mobilidade do Recife. O primeiro trecho de obras, que contempla o bairro da Torre, não foi escolhido ao acaso. De acordo com estudos do Instituto Pelópidas Silveira, ele é fundamental para que as demais etapas da requalificação possam fluir com tranquilidade quando tiverem suas obras contratadas. São 5 km de vias, já contempladas pela faixa azul, que passarão a contar com calçadas acessíveis, pontos de ônibus mais confortáveis, iluminação pública em LED, tudo pensado no conforto de quem precisa caminhar e depende do transporte coletivo”, afirma o presidente da URB Recife, João Alberto Costa Faria. A obra de R$ 250 milhões contempla a requalificação de 20km da 2ª Perimetral, que vai desde as pontes Motocolombó (Afogados) e Gilberto Freyre (Imbiribeira) até a divisa entre Recife e Olinda. A primeira etapa tem início no cruzamento da Avenida Abdias de Carvalho com a Estrada dos Remédios e segue até o início da Ponte-viaduto Torre/Parnamirim, nos dois sentidos do tráfego, com investimento de R$ 37 milhões. Além da requalificação de 10 km de calçadas dentro das normas de acessibilidade, substituição e implantação da rede de drenagem, também prevê a melhoria da pavimentação das vias e reforço nas placas de concreto, requalificação de 11 pontos de ônibus e 1,4 km de ciclofaixa nas vias secundárias.

O urbanista Pedro Guedes ressalta que o problema na mobilidade da Torre vai além da questão da infraestrutura. “Outros estudos devem estar alinhados a este trabalho. A maior parte das linhas de ônibus que trafegam nesse bairro vão para os mesmos lugares, enquanto faltam linhas para pontos importantes da cidade. Alguns problemas podem ser resolvidos através da integração de ônibus com o uso de tecnologias como o cartão VEM, sem que os passageiro precisem ir até os terminais. A implantação de ciclovias também vai desestimular o uso do carro”, opina. A aposentada Maria Inês Pires de Castro, 73 anos, que mora na Torre há 29 anos, diz que as ruas do bairro são muito estreitas. “Não tem espaço para ser mão dupla e há estacionamento”.



Fonte: Diário de Pernambuco | 30 de agosto de 2018

Minha Casa Minha Vida na Caxangá

do Recife às cidades de Camaragibe e São Lourenço, região vai receber residencial da MRV

Quando se pensa em Caxangá, é inevitável lembrar da longa e movimentada avenida com mais de 3,2 km de extensão que carrega esse nome. A denominação, entretanto, abrange mais do que isso: define um bairro no entorno da via, localizado a 11km do Centro do Recife, levando até municípios como Camaragibe e São Lourenço da Mata, e possui uma população estimada de aproximadamente 9.634 habitantes, de acordo com o site da Prefeitura do Recife.

Pensando nesse perfil, a MRV Construtora aposta no lançamento de um empreendimento residencial no segmento Minha Casa Minha Vida. O Greenville, ainda sem data prevista para o início da construção, será erguido em um terreno de mais de 21 mil metros quadrados na Avenida Joaquim Ribeiro. O tempo médio de conclusão é de 45 meses após a assinatura com o banco. A empresa, que atua nas faixas 1, 2, 3 e 5 do Minha Cada Minha Vida, oferecerá 298 unidades para o programa.

O Greenville será localizado em frente a uma estação BRT, próximo à Praça Amaro Albino Pimentel e ao Parque de Camaragibe, com supermercados, lojas e escolas no entorno. Os apartamentos possuem dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. O valor de partida é de R$ 160 mil. Além disso, durante a obra, estão previstas ações de melhoria na área do condomínio, com projeto paisagístico e acessibilidade nas calçadas.

O residencial será equipado com área de lazer e monitoramento de segurança 24 horas. Os apartamentos terão dispositivos elétricos e hidráulicos para reduzir o consumo de água e eletricidade. Segundo o gestor comercial da MRV em Pernambuco, Diogo Lemos, outro diferencial é o uso de energia solar nos espaços comuns, que traz economia estimada em 80% na conta e reduz os impactos ao meio ambiente. “O empreendimento contará com painéis de energia fotovoltaica nos telhados, uma fonte renovável e limpa”, atesta Diogo.

A construtora também estimula o projeto de bicicletas compartilhadas com dinâmica de uso semelhante à adotada nos carrinhos de compras, a serem retiradas pelos condôminos com um cartão magnético. Haverá, ainda, conectividade wi-fi nas áreas comuns, tomadas com entrada USB, sistema de segurança e medição individualizada de água. Destaque também para os espaços Gourmet e Kids, salão de festas, playground, pomar e área fitness.

O lançamento faz parte da meta da incorporadora mineira, com 38 anos de existência, de lançar 5.167 imóveis em Pernambuco com aporte de R$ 500 milhões até o fim do ano e valor geral de vendas potencial de R$ 821 milhões.



Fonte: Portal JC | 24 de agosto de 2018

Festival Ademi traz imóveis com descontos de até 30%

Com 27 empresas participantes e mais de 80 empreendimentos em oferta, feirão acontece no RioMar e online

De olho nos sinais de retomada do mercado, a Associação das Empresas Imobiliárias de Pernambuco (Ademi-PE) realiza de hoje (24) até o dia 2 de setembro o primeiro Festival Ademi Imóveis. Com 27 empresas participantes e mais de 80 empreendimentos em oferta, a Ademi espera estimular o fechamento de negócios aliando a concessão de descontos de até 30% à praticidade para negociação, já que o festival acontecerá de forma simultânea em estandes no RioMar, Zona Sul do Recife, e online, no site da instituição.
“A expectativa é positiva. Tivemos nos últimos meses vários indicadores que trazem confiança, sobretudo a redução dos juros praticados pelos bancos (os principais estão com taxas inferiores à 10%). Cerca de 40% das ofertas são do Minha Casa Minha Vida, mas temos produtos até o alto luxo”, diz o presidente da Ademi-PE, Gildo Vilaça. Dentre os empreendimentos ofertados estarão opções a partir de R$ 115 mil até cerca de R$ 2,8 milhões, em residenciais, empresariais e segunda moradia.
Participantes

Das 27 empresas participantes do festival, sete optaram também pelo evento físico. No centro de compras, as construtoras apresentarão seus principais lançamentos e condições exclusivas de comercialização. A Pernambuco Construtora é uma das que disponibilizará ofertas tanto no site quanto no mall. Um dos destaques é o Boulevard Prince, em Boa Viagem, pronto para morar - com 136,56 m², 4 quartos, 2 suítes, varanda gourmet, e automação residencial - que sai com taxa zero de sinal. Outros empreendimentos como o Engenho Prince e o Janga Prince, também da Pernambuco, terão unidades a partir dos R$ 262 mil. Já pelo MCMV, há opções de R$ 117 mil e R$ 123 mil em Ipojuca e São Lourenço da Mata. Também participarão do festival - físico e online - as empresas Boa vista, Exata, Gabriel Bacelar, Moura Dubeux, Queiroz Galvão e Romarco.

Somente através do site, estarão disponíveis ofertas da ACLF/ SBM, AWM, Carrilho, Ceta, Flamac, GV Engenharia, Hábil, LM Saraiva, Melo Gouveia, MRV, Muniz de Araújo, OR, Porto Engenharia, Poupec, Santo Antônio, Tenda, Tenório Simões, Vale do Ave, Veja e VL. “Hoje em dia, 70% das pessoas que procuram imóvel em Pernambuco o fazem de forma online. Isso justifica o novo formato. É mais um opção de vitrine para facilitar a tomada de decisão”, reforça Vilar.

Os visitantes que forem até o piso L1 do RioMar terão o auxílio de consultores, além de estandes do Bradesco e da Caixa para fazer simulações, avaliar cadastro e até aprovar carta de crédito na hora, desde que estejam munidos de documento de identificação, CPF e comprovante de renda e residência.




Fonte: Diário de Pernambuco | 24 de agosto de 2018

Beira-mar é um filão que está protegido

Entre o Pina e a área do Porto do Recife, Brasília Teimosa nasceu de uma ocupação em uma região conhecida como Areal Novo. Desde sempre ameaçado pelos interesses econômicos e políticos, dada a localização destacada na geografia recifense, o bairro recebeu uma primeira proposta de urbanização que contemplava a orla há mais de 35 anos. Na época, as palafitas foram retiradas, mas as mudanças na beira-mar permaneceram no imaginário. Houve, pelo menos, mais dois processos de reocupação do território em frente ao mar antes da retirada definitiva das palafitas, em 2004.

“O processo de urbanização dessa área se dá a partir de meados de 1980, com recursos do então BNH, cuja intervenção mais ampla ocorre nos anos 2000, quando se dá o prologamento da avenida beira-mar, com a retirada das palafitas, e o reassentamento de parte das famílias num habitacional construído no bairro do cordeiro. Importante ressaltar que essa ocupação é uma das mais antigas do Recife do ponto de vista da luta urbana”, explica o conselheiro federal do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU-PE) Roberto Salomão.

Brasília Teimosa é resistência, sobretudo, porque está inserida em uma Zona Especial de Interesse Social (ZEIS). É por isso que, mesmo com todas as ausências de controle de uso e de precariedade dos equipamentos de lazer, Roberto e Abraão ainda conseguem ter o direito de ver, da janela e porta de casa, o mar tão perto. Contudo, mesmo sendo uma das urbanizações mais antigas da cidade, alguns moradores do bairro ainda sofrem por não ter títulos de posse, a documentação de uma relação histórica entre povo e território.

A Zeis de Brasília Teimosa foi regulamentada em 1983, traçando parâmetros urbanísticos que impediram o avanço da ambição imobiliária sobre o bairro. “Entre eles, está o tamanho máximo de lote, o impedimento de remembramento, o gabarito máximo que limita a construção de torres com muitos andares”, explica a diretora de Habitação da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), Norah Neves.

Muitos dos moradores, porém, esperam a regularização total do bairro. “Desde a década de 1980, existem 1,8 mil títulos concedidos. Durante muito tempo, houve um entendimento de que eles não tinham valor. Mas estão registrados em cartório. Hoje, existe uma necessidade de atualizar isso e concluir essa regularização fundiária”, admitiu Norah Neves. Essa seria uma forma de fortalecer ainda mais o vínculo dos moradores e evitar o risco do bairro sucumbir, em algum momento, ao poder imobiliário.



Fonte: Diário de Pernambuco | 24 de agosto de 2018

Uma avenida de sonhos e desafios

A vida dos moradores de Brasília Teimosa já não é mais a mesma desde a saída das palafitas da beira-mar há 15 anos. As carências agora são outras

Sentado em uma cadeira de rodas, enquanto toma café da manhã, o motorista aposentado Roberto Gouveia, 54 anos, tem ao alcance dos olhos o mar. A vista privilegiada foi uma das principais conquistas dele, que herdou dos pais uma casa na beira-mar de Brasília Teimosa. O bairro que viu a urbanização chegar de forma definitiva há cerca de 15 anos, depois de sequenciadas tentativas nas décadas de 1980 e 1990, tem hoje outro horizonte. A chegada de uma orla, com avenida pavimentada, e a saída das palafitas, porém, não foi acompanhada do ordenamento.

Atravessar o Pina e ingressar na Avenida Brasília Formosa é como entrar em outro mundo. Se por um lado a retirada dos imóveis de madeira sobre o mar descortinou residências de alvenaria que antes ficavam escondidas, por outro o uso e a ocupação do calçadão, da faixa de areia e mesmo das calçadas do lado das residências acontece sem seguir nenhuma regra. É o que diz Roberto. “Minha vida mudou muito, eu e minha irmã vivíamos em palafitas. Era horrível. Por outro lado, a única vantagem é que agora a gente não precisa mais sair de casa para ver o mar. Mas o nosso registro é ainda da rua de trás. É lá que as cartas chegam, onde tem água e os outros serviços”, conta. Na prática, Roberto ainda vive na antiga Rua E, atual Rua Atum.

Entre o imóvel dele e o oceano, usualmente, existem sempre obstáculos que impedem um horizonte completamente livre, como lixo acumulado, carros estacionados de maneira irregular, cadeiras de bares do entorno. Morador do bairro desde que nasceu, o vigilante Abraão Nascimento, 63 anos, é outro que ganhou vista para o mar com a retirada das palafitas e ergueu no imóvel até um segundo andar, para os filhos e netos. “Os bares ocupam as calçadas como querem, botam som alto a qualquer hora do dia”, reclamou.

O motorista José Nunes, 59, diz que falta maior controle no tráfego. “Só temos duas faixas de pedestres. O ideal seria colocar uma câmera daquelas que existem em outras partes da cidade”. De acordo com o secretário de Mobilidade e Controle Urbano, João Braga, a prefeitura já realizou um trabalho de organização das barracas da orla do bairro e faz fiscalização na área, em especial nos fins de semana. “Estamos em busca de parcerias para fazer a padronização dos equipamentos. Queremos estar com isso até o fim do ano”, disse. Braga afirmou que enviará uma equipe ao local para verificar as denúncias.

Em nota, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) informou que a orla do bairro conta com serviço regular de coleta domiciliar. O trabalho é feito diariamente, de forma mecanizada em horário diurno. A varrição é feita aos domingos, segundas e quintas-feiras. Na orla de Brasília Teimosa há três equipamentos públicos de lazer: a Praça de São Pedro, a Praça Av. Brasília Formosa e a Praça Cristina Valença. A primeira foi reformada em junho deste ano. Os serviços abrangeram ações de arborização, troca de bancos e reparos nos equipamentos. Em novembro duas ruas vaõ ser beneficiadas.

Já a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) informou que o bairro está inserido no plano de manutenção de sinalização e receberá serviços de implantação e de requalificação da sinalização no mês de novembro. Além disso, será feito no bairro o disciplinamento de estacionamento irregular, ação que visa melhorar a mobilidade no local, e ainda novas faixas de pedestres e revitalização da sinalização existente. No que se refere à fiscalização eletrônica, o bairro contará com câmera de videomonitoramento na Rua Arabaiana.